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quinta-feira, 25 de março de 2010

Município de Ponte de Lima anuncia Projecto de Valorização dos Ecossistemas da Bacia do Rio Lima

.: Município de Ponte de Lima noticia:
Ambiente: 29 de Janeiro de 2010 
Valorização dos Ecossistemas das Bacias Hidrográficas do Minho e Lima 
(c) foto:  http://www.cm-pontedelima.pt/noticia.php?id=354

Já tem quase 2 meses esta notícia, mas muito me apraz promovê-la. Afinal de contas é a área na qual desenvolvo investigação. Veremos como o projecto será dirigido. Espero que no final os limianos olhem para os seus rios de uma forma diferente.

De facto, analisando os bosques ripícolas do Rio Lima, em particular, é precisamente no trecho que passa entre a Vila de Ponte de Lima e a Vila de Arcozelo um dos que se encontra em pior estado de conservação, dada a falta de sensibilidade dos gestores (e não só) para os valores biológicos que ali se encontram. 
Por um lado a "limpeza" que se fazem nas barras arenosas vegetadas essencialmente por salgueirais de Salix salvifolia ssp. salvifolia. Por outro, o corte de amieiros (Alnus glutinosa) no amial na margem direita e o corte da vegetação herbácea do sub-bosque por razões meramente estéticas. No final, o estado lamentável do famoso areal de Ponte de Lima e o ajardinamento das margens um pouco por todo o trecho referido. Este ajardinamento é feito à base de espécies exóticas. Espécies estas que não fazem parte da nossa biodiversidade local e que devem ser usadas com atenção [na minha opinião  não deviam ser usados em habitats (semi)naturais] dado que algumas delas se podem tornar invasoras. 

Relativamente às espécies invasoras, infelizmente o Rio Lima está gravemente afectado por um naipe problemático. Muitas são as causas, mas a construção da Barragem de Lindoso e a consequente diminuição dos caudais de cheia em muito ajudam. Começando pelas acácias temos em completa invasão nas diferentes acumulações arenosas, nomeadamente para jusante da Vila, a Acacia dealbata (mimosa), a Acacia melanoxylon (austrália) e a Acacia longifolia (acácia-das-espigas) e menos a Robinia pseudoacacia (acácia-bastarda ou robínia). Depois temos a recente invasão da Cortadeira selloana (penachos ou erva-das-pampas) [com origem em plantações no açude] e a mais problemática erva-da-fortuna (Tradescantia fluminensis) no sub-bosque dos amiais. É necessário ter em atenção ainda à recente naturalização do bordo-negundo (Acer negundo) e à mais antiga do plátano (Platanus acerifolia) [vindos da famosa avenida dos plátanos]. 
Se nos alargarmos para as veigas do Rio Lima aí o problema chama-se também Eucaliptus globulus dada a sua plantação disseminada em algumas áreas. É uma espécie que não faz sentido algum ser plantada nos melhores solos agrícolas, como são os solos de aluvião, ainda para mais sem aparentemente proveito para fins industriais!

Espero sinceramente que este projecto seja bem pensado e ainda melhor gerido na prática (pois é disso que o nosso país necessita), já que as nossas florestas baixas bem o precisam. Assim como as restantes infelizmente. Um dos cartazes de Ponte de Lima é a sua beleza paisagística, mas quem tem olhos sensibilizados para o problema observa que na paisagem vegetal limiana, em largas áreas, o que dominam são as espécies exóticas, quer pela plantação desregrada de uma monocultura de eucaliptos, quer pela invasão de diferentes acácias...

Os limianos têm de aprender mais sobre a sua floresta autóctone e suas etapas naturais de degradação/regeneração e os seus valores naturais, pois a nossa maior riqueza em espécies vegetais estão naquilo a que nós chamamos "mato". Dá que pensar, não dá!
Espero contribuir para esse enriquecimento dos limianos... Assim, fica desde já anunciado, logo que possível, mais informação sobre a vegetação ribeirinha nativa do Rio Lima, assim como fotos das principais espécies. Para além das floridas, mas perigosas, invasoras atrás enunciadas.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Uma das principais razões para não se perder a oportunidade de se reconstruir a espinha dorsal da rede ferroviária nacional

Uma das principais razões para "não perdermos o comboio" é o apoio que a União Europeia disponibiliza especificamente para a Rede Transeuropeia de Transportes. Veja-se os milhões já disponibilizados: http://www.rave.pt/tabid/232/ItemID/313/View/Details/Default.aspx
A famosa crise (só para os do costume) não pode ser desculpa para perdemos esta oportunidade, Portugal precisa de uma rede de caminho de ferro competitiva, ligada à rede europeia.
Infelizmente nem todas as opções são as melhores, e é contra essas que devemos lutar para as melhorar-mos. P.e. Alta Velocidade 300/350km/h Lisboa-Porto faz sentido? Ainda para mais com todas as estações intermédias previstas? Os milhões que se terão de investir a mais, na faixa de território nacional mais densamente povoado, compensará o ganho de tempo? (O famoso 1/4 de hora mal interpretado por muitos!). Do meu ponto de vista uma linha semelhante à do Porto/Vigo em Velocidade Elevada (250km/h) seria suficiente e o restante dinheiro poderia servir para recuperar linhas convencionais completamente moribundas em áreas densamente povoadas - caso da linha do Oeste e arredores, p.e.!
Outros casos têm a ver com as opções de traçado, p.e. Lisboa-Madrid que na área raiana esventra um reconhecido e limitado habitat da Rede Natura 2000... nem sei como isso ficou!


Renegar a Alta Velocidade só "porque sim" ou porque "é muito caro e ninguém vai andar nele" são desculpas sem consistência alguma. Se fosse assim muitos dos investimentos realizados não sairiam do plano das ideias de certos iluminados. Se tomarmos o exemplo do serviço Alfa Pendular Porto-Lisboa, de resto semelhante ao que viremos a ter na ligação Porto-Vigo, os números dizem o contrário... Considero que os preços têm vindo a agravar-se, mas o certo é que os comboios estão "sempre cheios". Um bom serviço de transportes que ofereça pontualidade, segurança e conforto tem caminho aberto para ter uma boa procura. Se se pretender ter um serviço medíocre a mau, como o que existe actualmente na linha do Minho, de Nine para Norte, é óbvio que a procura não será muita...
Penso que quando se aposta em qualidade, em qualquer "negócio" os dividendos mais tarde ou mais cedo chegarão... em termos ambientais sem dúvida alguma o comboio é um bom investimento, desde que sejam bem ponderados os seus traçados... a ver vamos!


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

1ª análise do Resumo Não Técnico do EIA do Troço Alta Velocidade em Ponte de Lima


       Numa análise preliminar e focalizada sobre o sub-troço 2 da linha de Alta Velocidade (AV) Porto-Vigo (Troço Braga-Valença) a primeira impressão é que a nossa análise realizada às duas alternativas de passagem pelo Município de Ponte de Lima foi correcta.
       Segundo as conclusões do EIA (Estudo de Impacte Ambiental) a alternativa A (Nascente) é a mais favorável para a passagem do comboio de AV no Concelho.
       A descrição dos traçados das diferentes alternativas é muito próxima da realizada por nós, havendo apenas ligeiras diferenças sobretudo na alternativa A, nomeadamente no vencimento do obstáculo: Rio Lima. Apesar da figura 6 anexada ao Resumo Não Técnico (RÑT) ter a escala que tem (1:25 000), de todo não ideal para questões de pormenor, a cota da ponte que vence o Rio Lima será mais elevada do que nós prevíamos na nossa análise! Pelo que parece a amarragem da ponte na vertente N do vale do Rio Lima situar-se-á entre os 50 e 60m de altitude. Situação que provoca um aumento da dimensão da obra de arte (~1,8km?!)" e maior impacto na paisagem. Na nossa análise apontava-mos uma cota bem mais baixa (~30m), mas obviamente não tivemos em conta o nó das Auto-Estradas na margem N, apesar de chamar-mos à atenção para esse problema. No entanto, a principal razão apresentada no RÑT prende-se com o conflito com habitações na vertente S, «evitar expropriações de casas na vertente Sul, que se situam radialmente à EN 203»(pg.9).
          Para nós um viaduto a passar sobre as casas e sobre o vale a ~50m do leito do rio não é de todo uma solução às expropriações. Certamente que as pessoas que lá vivem preferirão ir viver para outro lado numa casa nova, mais adaptada às comodidades da vida actual, do que viver "debaixo da ponte"! Penso que a solução que apontámos de a linha passar sobe a N203, tal como acontece com a A3 seria menos impactante para este limite NE da área urbana da Vila de Ponte de Lima. Para isso o vertente N teria de ser vencida por um pequeno túnel. Pensando numa ponte mais curta, logo mais barata, o acréscimo de mais 1 túnel não seria demasiado dispendioso... dado os impactos negativos apontados. O problema será sempre na margem N, as A-E, pois a linha terá de passar a ~5 m acima da A27 e por baixo da A3, ou ~5m acima da A3! Mas nesta matéria a Engenharia poderá apresentar diversas soluções. Depois há que jogar com a P.U.E.C. projectada em Bradara logo a seguir ao topo da vertente N do vale!
        Resumido há que explorar esta questão da ponte sobre o Rio Lima. Parece-me que será um dos ponto que levantará mais conflitos, mas com estudos mais pormenorizados poderão ser encontradas soluções que minimizem os impactos. De certo que uma ponte a passar pelo topo da vertente N do vale, como a que aparece projectada na fig. 6, afectará a paisagem já fatigada com uma encruzilhada de 2 A-E! A esta cota veremos os comboio passar da ponte velha de Ponte de Lima! Será isso que queremos ver na paisagem!?
        Outro aspecto que importa discutir: a PUEC projectada pode vir a ser uma futura estação do Vale do Lima?! Com o tráfego apontado de 9 comboios diários em cada sentido não me parece que uma paragem em Ponte de Lima possa complicar muito as coisas! Volto a insistir, esta linha não é uma linha de  AV  de 1.ª ordem, é sim uma linha de 2.ª ordem, de VE (Velocidade Elevada) ao nível do "nosso" Alfa Pendular, logo não é uma linha de AV como a de Lisboa-Madrid. De resto isto mesmo é apontado no RÑT para uma 1.ª fase de funcionamento da linha, pois será muito provavelmente com os Alfas Pendulares, que migrarão da linha do Norte actual, que o serviço de VE será assegurado. A construção em bitola ibérica numa 1.ª fase que ligará à actual e renovada linha do Minho/Ramal de Braga assim o indica.
        Para mim penso que seja uma boa ideia aproveitar o tempo de vida que os Alfas ainda deterão daqui a ~5 anos. Mas é imperial a introdução de travessas de dupla fixação para uma rápida mudança de bitola quando a 2.ª fase da linha (Porto-Aeroporto-Braga) for concluída. Por outro lado, essa 2.ª fase não deve retardar-se demasiado, pois o Aeroporto do Porto sairia muito a perder!
        Em suma: há que lutar pela estação no Vale do Lima (P.U.E.C de Brandara), corrigir a passagem no Rio Lima, minorando os impactos na paisagem e acertar alguns pormenores que possam por em causa o património mais valioso para as pessoas - as suas casas. Mas como referi, será melhor mudar para um novo local, com melhores condições de vida, do que permanecer debaixo ou colado à linha de comboio. Claro que cada pessoa pensará para si mesma e sua família a melhor opção.
       

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Estudo de Impacte Ambiental da Linha de Alta Velocidade Braga-Vigo já está para consulta pública até 13Jan'10

Apesar do sítio da RAVE ainda não o ter noticiado já se encontram disponíveis para consulta pública as conclusões do Estudo de Impacte Ambiental para a linha AV Braga-Valença. O Resumo Não Técnico e cartografia estão disponíveis no sítio da APA, Agência Portuguesa do Ambiente:
http://aiacirca.apambiente.pt:8980/Public/irc/aia/aiapublico/library?l=/aia2102_ferroviria/resumo_no_tcnico&vm=detailed&sb=Title
Infelizmente o acesso online ao documento na integra, com toda a informação técnica, não é possível! Para isso temos que nos deslocar p.e. à Câmara Municipal de Ponte de Lima, entre outras instituições. Para mais informações: http://www.cm-pontedelima.pt/noticia.php?id=299

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Estação de Alta Velocidade em Ponte de Lima não é uma miragem, nem um disparate!

          
CPA 4000 Alfa Pendular da CP. 
Portugal já possui material circulante de Alta Velocidade, falta-nos as linhas...
Foto retirada de: http://www.world66.com


             Como havíamos escrito é possível Ponte de Lima "lutar" por uma estação na linha de Alta Velocidade  (AV) Porto-Vigo! Todos os nossos argumentos apresentados nos últimos "posts" são refutados num dos relatórios que sustentam o Projecto que o Estado Português apresentou na candidatura aos  Projectos Prioritários da TEN-T [(«Trans-European Transport Network») (Rede Transeuropeia de Transportes)]. Este relatório está diponível no sítio da RAVE (www.rave.pt). (ou então procurar no Google: Alta Velocidade Ponte de Lima. É dos primeiros a surgir)
             
              Na pg. 3 do relatório «PART B - Technical and financial information», relatório este  integrado na «APPLICATION FORM for Community financial aid in the field of the trans-European transport network. Multi-annual work programme 2007-2013 Field 1 - TEN-T Priority Projects CALL FOR PROPOSALS 2007» lê-se em bom português o seguinte:
             «Relativamente ao serviço de passageiros, é de realçar que a existência de estações intermédias não obriga à paragem de todos os comboios, sendo que tal dependerá do modelo de exploração que vier a ser adoptado. Com efeito, para além do serviço directo de Alta Velocidade entre as cidades de Porto e Vigo, estão também previstos serviços com paragens intermédias, que poderão servir de forma alternada essas estações ou abranger a sua totalidade. O modelo de exploração criteriosamente concebido potenciará, assim, a coesão e competitividade de todo o território atravessado e estimulará o desenvolvimento das designadas “Cidades AV”.»

              Deste modo os nossos autarcas em vez de fazerem propaganda política "populista" dizendo "Não ao TGV" deviam era lutar pelos interesses da sub-região do Vale do Lima, para que esta, tal como as do Vale do Minho e Vale do Cávado, possa ser uma das "Comunidades AV". O populismo destas políticas nada serve os interesses da região, se assim fosse porque não se disse "Não à A3, não à A27, não ao IC28?!" São infra-estruturas que trouxeram muito mais impactes negativos do que a linha de Alta Velocidade trará, pois trata-se de um modo de transporte muito mais sustentável que o actual transporte rodoviário!
              
              E em relação aos impactes positivos? Mesmo que não haja estação!? Alguém já os discutiu!?  Salientaria apenas alguns que me parecem evidentes: menos tráfego de camiões na A3 e A28 (sobretudo nesta, porque não tem, para já, portagens), logo menos poluição e mais segurança para os automobilistas que lá conduzem e ainda maior durabilidade da infra-estrutura, que, de certo modo, compensará o menor rendimento nas portagens. Muito mais se poderia dizer... obviamente... mas em Ponte de Lima parece-me que poucos são aqueles que pensam a longo prazo, nomeadamente no que toca a política de transportes e mobilidade.

              Sendo assim há que discutir qual o melhor traçado para a região, nomeadamente no que refere à sua sustentabilidade. Este conceito deveria, de resto, ser a base de todo e qualquer projecto, da Economia  e da Sociedade Humana em geral. E a sustentabilidade não é só ambiental, mas também social e económica!
             
              Há primeira vista o traçado que acompanha a A3, pelas razões que já apresentei, parece-me o mais sustentável, mas só depois do Estudo de Impacte Ambiental ser divulgado (esperemos que bem organizado e independente) é que se poderão tomar decisões... Espero que os autarcas em vez de se guerrearem, estudem, informem-se para que possam decidir e apresentar explicações à população com base em critérios firmes... e não levianos como aqueles que se ouvem e se leêm durante as campanhas eleitorais!